Denize Nascimento Gonçalves - Reflexões


O sofrimento e a não aceitação

Sofrer é uma capacidade inata em nós.

Sofremos por tudo. Sofremos pelo que vemos na televisão, ouvimos no rádio, lemos nos jornais, pelos problemas dos outros e, obviamente, pelos nossos próprios problemas.

Mas por que sofremos tanto? Esta é a questão que não pode calar.

Segundo Emmanuel, “O sofrimento é a não aceitação das coisas”.

Ora, vivemos num planeta que não é o Céu. Podemos dizer também que moramos num país que não é o Céu. E se não vivemos no Céu, talvez seja porque não somos “santos” ainda, concorda?!

Poderíamos tomar este pensamento (não vivemos no Céu) em conexão com o outro (não somos santos) e perguntarmo-nos se conhecemos algum ser perfeito da nossa espécie sobre a Terra.
Você poderia dizer: ah, mas tem muita gente boa que eu conheço. Sim, mas não perfeito, isento de egoísmo, orgulho e vaidade, onde o amor ao próximo fala mais alto que o amor a si mesmo.

Mas o que esta história  de ser perfeito e imperfeito tem a ver com sofrimento? Tem que quanto mais imperfeito formos maior o nosso grau de sofrimento. O contrário também é verdadeiro: quanto mais perfeitos, menos sofrimentos.

Vale lembrar que falamos de sofrimentos que criamos para nós sejam em pensamentos, palavras e ações negativas lançados como bumerangue, que sai de nossas mãos e a elas retorna, lembrando-nos a lei de ação e reação tão esclarecida pela física.

E quando a Lei vem cobrar de nós os erros que lançamos para a vida, o próximo e a nós mesmos, costumamos não aceitar. Por isso sofremos.

Irmão José, através das mãos úteis de Carlos Baccelli escreveu: Decifra a mensagem: toda dificuldade que enfrentas, encerra numa mensagem que deves decifrar. Se não a entenderes, com certeza ela persistirá em ti. Analisa os teus problemas além das aparências com que se te apresentam. O que acontece de mais importante em tua vida é determinado pelas tuas atitudes.

Busquemos entender todas as mensagens que existem por trás dos  sofrimentos que enfrentamos e que vemos o mundo enfrentar. Nada acontece por acaso e tudo tem uma razão de ser.

Não fujamos do entendimento que nos convoca a aceitação dos problemas que agem em nós como o lapidar do diamante. A dor é necessária ao nosso crescimento sempre que a aprendizagem, a compreensão e a obediência do que é bom e do que é certo não chegam primeiro.

Por fim, aceitar aquilo que não pode ser mudado é sinal de inteligência. Sabedoria é não criar sofrimentos para não ter que chorar depois.

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 21h05
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Por que os olhos são o espelho da alma?

Caro leitor, você se lembra da história da mulher que, todos os dias, olhando pela vidraça de sua casa as roupas da vizinha lavadas e estendidas no varal do seu quintal? Todos os dias ela criticava a vizinha dizendo: “Bem, vem ver só que roupas sujas desta vizinha. Ela não sabe lavar roupa. Qualquer dia eu vou até lá e vou dar-lhe umas dicas de como lavar roupas”. Passado alguns dias, olhando como de costume as roupas da vizinha no varal, comentou com o marido: Olha, querido, como estão limpas as roupas da vizinha! Que milagre aconteceu?! –O marido apenas respondeu: é que hoje eu levantei mais cedo e lavei a nossa vidraça.

Alguma vez você já parou para pensar no que a antiga expressão dita como “os olhos são o espelho da alma” pode representar em nossa vida? Talvez tenhamos passado uma vida inteira sem pararmos para analisar o conteúdo filosófico desta frase.

Se começarmos a pensar que tudo aquilo que eu não aceito no outro tem o seu principio ativo dentro de mim, podemos até não concordar, mas é uma verdade comprovada.

É só termos um pouco de boa vontade para analisarmos e concluirmos sobre as nossas próprias vivências.

 Se a desordem do outro me incomoda é porque no fundo eu não sou organizado em algum aspecto da minha vida, mesmo que eu aparente ser.

Se a indelicadeza ou mesmo a rispidez do outro me incomoda é porque no fundo eu não sou dócil e educado no trato com as pessoas, mesmo que eu aparente ser.

Se o desregramento social do outro seja de que tipo for me incomoda é porque no fundo eu não sou uma pessoa realmente regrada, mesmo que eu aparente ser.

Se a impontualidade do outro me incomoda é porque no fundo eu não sou pontual, mesmo que eu aparente ser.

Se as falhas dos motoristas no trânsito me incomodam é porque no fundo eu não sou um perfeito motorista, isento de falhas, mesmo que eu aparente ser.

Se o melindre do outro me incomoda é porque no fundo eu não sou  uma pessoa que perdoa com facilidade, mesmo que aparente ser.

Logo, sempre que observarmos que algo no outro nos incomoda faz-se necessário realizarmos uma auto-avaliação sincera. O outro espelha o que somos em nossas irritações. Os nossos olhos vêem o que está cheio o nosso coração, já nos disse Jesus a respeito desta verdade.

“São os olhos a lâmpada do corpo. Se teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas”,Matheus 6: 22-23.

Isto é óbvio. Se a tudo que olhamos criticamos tecendo comentários infelizes é porque a nossa alma ainda está mergulhada nos lamaçais das nossas imperfeições acarretando-nos sofrimentos que nunca entendemos os por quês.

Os nossos olhos são o espelho de nossas almas, não há dúvida. Portanto, são as nossas almas ainda imperfeitas que só conseguem ver  as imperfeições alheias,  e não é porque somos santos. Longe disso.

Comecemos a  ver o lado bom de tudo e de todos e o mundo nunca mais será o mesmo; a começar do nosso mundo interior.

            Eis um esforço valoroso e que vale a pena, pois que os seus benefícios são simultâneos às nossas ações.

 

 

 

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 14h58
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Dificuldades de amar e o abraço

Muitas vezes, percebemos o quanto é grande a nossa dificuldade de amar, embora já saibamos da importância e dos benefícios deste  amor.

Somos todos ainda portadores de um amor egoísta, um pseudo-amor, que nos engana e muitas vezes, engana os outros também. Ficamos fazendo parte de uma teia de amor ilusória onde realmente nos distanciamos da compreensão do sentido da sua autenticidade.

Prestemos atenção nos nossos abraços. Quase não abraçamos ninguém. Por falta de tempo? Por falta de coragem? Por falta de vontade? Por falta de afinidade? Afinal, por falta do que deixamos de abraçar as pessoas?

Eu recebi um e-mail de um amigo que diz que abraço de filho deveria ser receitado por médico, porque há um poder de cura que ainda desconhecemos, pois cura ódio, ressentimento, cansaço, tristeza. Mas podemos pensar: apenas abraço de filho pode curar?!

O texto fala também que quando abraçamos soltamos amarras, baixamos defesas, permitimos que o outro se aproxime do nosso coração. Então analisamos: por que não abraçamos em vez de fornecermos o lugar do abraço para as amarras da mágoa, as baixas defesas do organismo que nos enchem de doenças, a distância cada vez maior que nos separa até mesmo das pessoas mais valiosas?

Concordo quando o autor diz que abraço de filho rejuvenesce a alma e o corpo. Porém, não apenas abraço de filho. Abraço verdadeiro seja de quem for.

Acredito que o  abraço é  doação da alma destemida e segura de si. Somente quem não tem medo de se mostrar consegue ultrapassar os muros da dúvida e da insegurança que a vida em sociedade insiste em disseminar.

É verdade também quando o autor diz que o abraço apertado nos tira do chão por instantes. Saímos do chão das preocupações, da descrença, do pessimismo, e alcançamos a possibilidade de amar de novo, semear de novo, renascer. Os abraços nos fazem nascer de novo.

Por isso, é preciso  aprendermos a abraçar de verdade, não por uma convenção social, mas por uma ação inteligente e sensível. Inteligente porque só assim estaremos dando passos largos no desenvolvimento do amor em nós e sensível porque não há amor sem sensibilidade. Todos carecemos de abraços, visível ou invisivelmente falando

 

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Gostaria de agradecer ao Divaldinho, amigo desta cidade e meu amigo, por esta mensagem  enviada refletindo sobre o abraço. Se existe alguém que já conheci nesta vida que consegue fazer uso do poder  do abraço é ele. Exatamente como diz o texto: o seu abraço nos “tira do chão” por alguns instantes... e quando nos devolve, a sensação é indescritível. Creio que só quem vive para doar-se integralmente ao próximo tem este poder. Enquanto isto, vamos apenas aprendendo  como é que se faz.

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 14h57
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A melhor mulher

A melhor mãe é a que menos fala.

A melhor sogra é a que menos interfere.

A melhor cunhada é a que menos critica.

A melhor irmã é a que menos implica.

A melhor esposa é a que menos chateia.

A melhor vizinha é a que menos incomoda.

A melhor patroa é a que menos perturba.

A melhor funcionária é a que menos fofoca.

A melhor mulher é a que menos fala, menos implica, menos chateia, menos incomoda, menos perturba, menos fofoca.

Logo, a melhor mulher é a sábia: aquela que edifica sempre, onde quer que esteja.

A mulher sábia

A mulher sábia ouve e orienta quando sente que pode falar; auxilia sem interferir; elogia, ao invés de criticar; compreende, ao invés de implicar; ajuda ao invés de chatear; solidariza, ao invés de incomodar; respeita, ao invés de perturbar; apazigua, ao invés de fofocar.

Senhor, dá-nos sabedoria para que possamos construir as nossas almas e auxiliar na edificação de tantas outras que convivem conosco

                                                     Denize do Nascimento Gonçalves

                                                                   06/04/2012

 

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 14h53
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       Onde se originam as nossas críticas?

 

Todos sabemos o quanto é gostoso e, por incrível que pareça, prazeroso criticar alguém. E nisso nós somos muito bons.

Criticamos desde o comportamento de jovens e adultos no carnaval; os políticos, os presidentes, o povo, os familiares, os vizinhos, os que cruzamos na rua, os funcionários do comércio, dos hospitais, e por aí afora.

A questão é: por que somos tão críticos? Por que enxergamos tantos defeitos nos outros? Por que cobramos tanto das pessoas como se elas fossem perfeitas?

Se colocarmos uma lente mais eficiente sobre os nossos olhos míopes veremos que algo de errado acontece conosco. Veja que, segundo Jesus, vemos o cisco no olho do nosso irmão, mas não vemos a trave no nosso olho. E o que isso representa para nós? Muitas vezes nada. É preciso muito esforço para a compreensão deste fato.

Podemos, então, buscar o entendimento da questão: onde se originam as nossas críticas?

Pensemos: quando é que criticamos alguém? Você já parou para pensar nisso? Já pensou que nós só criticamos os outros quando acreditamos que o que elas fazem de errado nós não fazemos? Que erros como cometem nós não cometemos?

O mais incrível de tudo é quando criticamos erros dos outros que ainda cometemos em nossos dias ou que já cometemos no passado, dando-nos uma falsa ideia de superioridade.

A verdade é que toda e qualquer crítica que encenamos no teatro de nossas vidas tem origem nos bastidores do  nosso orgulho. Este que trabalha por trás das cortinas, direcionando-nos as ações como verdadeiras marionetes sob as cordas da ignorância.

Sempre que acreditamos que somos melhores do que alguém, que nossas ações são limpas e as dela, obscuras, que as atitudes que comete não fazem parte do nosso princípio de vida, esqueçamos. Esta é a sentença de morte para o crime do orgulho.

Então, podemos seguir as sábias palavras de  Charles Chaplin quando nos disse: “Pensamos demasiadamente. Sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade que de máquinas. Mais de bondade e ternura que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá.”

E tempo que  perdemos criticando   é perda de tempo.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 10h29
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Indulgência: tolerância

         Durante muito tempo acreditamos que a palavra indulgência era apenas um comércio de venda de garantia de acesso ao Céu. O sujeito morria mais feliz por ter  pagado  as tais indulgências ao longo da vida para os líderes religiosos da    sua época  que, por sua vez, garantiam a excelência do produto.

         Vivemos hoje numa época onde não podemos mais nos enganar e muito menos permitir ser enganados: indulgência é tolerância de acordo com as palavras do dicionário Aurélio.

         A mesma moeda que usarmos com o nosso próximo, a vida usará  conosco. Isto é o óbvio. Quando pensamos em tolerância, não podemos pensar primeiramente na tolerância do Céu para conosco, pois que é muito distante. Pensemos na tolerância nossa para com o mundo, as pessoas.

         Podemos então nos perguntar: qual o nível de indulgência que temos para com as criaturas que cruzam os nossos caminhos diária ou esporadicamente?

         Quando alguém nos pede para repetir o que falamos, dizemos quantas vezes forem necessárias ou já partimos logo para o jogo da ignorante intolerância?

         Quando alguém passa por nós no trânsito ultrapassando em alta velocidade ou mesmo realizando uma manobra incorreta dizemos: vai com Deus meu irmão, está tudo bem ou nos irritamos rapidamente reagindo com palavras infelizes e pensamentos mordazes?!

         Quando estamos aguardando um ente querido para sairmos juntos e ele demora, o que dizemos: ah, ele está demorando porque ainda não está pronto, talvez deve ter acontecido alguma coisa ou partimos logo para a euforia da raiva acreditando que está nos fazendo de bobo ou de idiota?!

Quando, por mais que falamos ou oramos por um parente para que ele mude o seu comportamento imaturo e indevido ele continua sendo o mesmo, o que pensamos e às vezes até falamos: tenho fé que um dia este meu afeto (não importa quem seja) vai amadurecer e vai despertar para a vida  ou não perdemos a oportunidade de dizer-lhe: você não tem jeito mesmo, já desisti, entreguei você pra Deus!

         Enfim, temos muito pouca tolerância, a paciência para com as imperfeições alheias e esta é uma das maiores verdades sobre nós. A outra maior verdade é que fazemos ao outro tudo aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco.

         Quando não entendemos o que o outro nos disse, desejamos que o outro repita pacientemente até compreendermos o que falou. Se estamos com pressa, no trânsito, queremos que nos deixem passar. Se fazemos uma barbeiragem, esperamos que o outro compreenda.       Se alguém está nos esperando para sair, bom mesmo é que ele nos aguarde com alegria no rosto. Quando resistimos aos conselhos de quem nos quer o bem e adiamos as mudanças, desejamos profundamente que continue  orando por nós sem desistência.

         Segundo um grande pensador Emmanuel, “Paciência é saber esperar”. É tudo que precisamos aprender e aí sim termos verdadeiro acesso  à vida celestial.

         Não nos permitamos enganar mais do que já fomos enganados ao longo de tanta História. Felicidade não cai do Céu; é fruto de muito trabalho sobre nós mesmos.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 10h27
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Com a palavra, o telefone

 

         A cliente estava lá, sentada em frente à mesa onde estava a negociar uma viagem. O telefone tocou e a proprietária da loja foi atender. Passou o primeiro minuto. Passaram outros três. O assunto era interessante: a negociação de uma viagem. Foi quando, depois de mais alguns minutos, a cliente levantou-se da cadeira, e despedindo-se da senhora ao telefone, se foi.

         O fato é que esta se tornou uma realidade comum nos dias atuais. Você sai de casa com o seu carro, passa pelo trânsito, estaciona, aguarda a sua vez de ser atendido, e quando começa a falar, o folgado do telefone entra na sua frente e ganha a atenção do seu locutor.

         Podemos então pensar: por que o telefone é mais importante do que nós que já estamos ali? Será que o barulho do chamado constante do telefone incomodaria o atendente e ele chega ao ponto de nos deixar, literalmente, no vácuo, olhando para a parede enquanto aguardamos o fim da conversa?

         Se formos analisar por outro lado, o fato de estarmos sentados ali já garante ao vendedor que não perderá a nossa venda, mas se não atender o telefone poderá perder uma?

         De tanto pensar sobre o assunto, creio que cheguei a uma conclusão. Veja se você concorda ou não.

         Um dos maiores desafios para nós, seres humanos, na atualidade, é o saber falar. Conversar, bater um papo gostoso, enriquecedor, prazeroso, útil tornou-se gênero quase indisponível  nas prateleiras da convivência. Oi, olá, como vai são ferramentas comuns do cotidiano e as outras ferramentas que se tornaram essenciais estão nos aparelhos de relacionamento tecnológicos que são, por sua vez, superficiais ao extremo.

         Toda a história da cliente poderia terminar de outra maneira.

         O telefone tocou. A senhora disse à cliente: só um instante, por favor. Alô, com quem eu falo? Fulana, eu estou no meio de um atendimento, você poderia ligar para mim daqui a uns dez minutos (ou como determinar segundo seu cálculo de finalização do atendimento) ou eu mesma ligo pra você assim que terminar, como achar melhor?

         Pronto, o problema da falta de respeito para com o cliente  móvel deixaria de existir e ele sairia feliz da loja porque recebeu um atendimento digno do seu esforço.

         Logo, vale a reflexão sobre esta questão que passa diante dos nossos olhos e que sequer percebemos muitas vezes. O que devemos fazer nesta situação?

         Como clientes, nos retirarmos para que o atendente possa falar melhor ao telefone sem a pressão de ter alguém à sua espera.

         Como atendente de uma loja ou de uma repartição qualquer que seja, ou mesmo recebendo uma visita em casa, aprendermos a nos comunicar melhor ao telefone, tendo a elegância de sermos justo dando prioridade por ordem de chegada.

         Em outras palavras, executar a lei do “faça ao outro exatamente como gostaria que lhe fizessem” continua sendo a melhor maneira  de sabermos se estamos agindo certo ou não.

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 10h22
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Ano novo, vida nova

Todo o ano a história é sempre a mesma: ano novo, vida nova. Fazemos planos de mudanças, dizemos que vamos começar uma reeducação alimentar, uma caminhada diária, que vamos procurar profissionais para fazermos exercícios físicos, que vamos cuidar melhor da nossa saúde, que vamos começar um curso novo, e tantos outros planos mais. Maravilha!

Somos convidados dia a dia para mudanças. O que fazemos? Resistimos. Deixamos em standby as mudanças acreditando que nunca a casa irá cair, que nunca o barranco irá desmoronar, que a água não chegará aos nossos pés. Temos fé no nosso conformismo, na nossa apatia e na falta de coragem de fazermos mudanças e depois jogamos para a vida a culpa da nossa infelicidade e dos nossos sofrimentos.

Quando chegamos ao final do ano e nos deparamos com uma sensação diferente, onde percebemos que ficamos mais reflexivos, mais sensíveis, mais emotivos, e aí, damo-nos conta de que tudo isso nada mais é do que a nossa consciência cobrando de nós as promessas não cumpridas.

Ora, para um pensador, a maior dor é a dor da consciência do tempo perdido, onde quer que estejamos. Afinal, sabemos de tudo o que é bom para nós, mas não conseguimos colocá-las em prática.

As mudanças são urgentes em nossas vidas, porém nos mantemos estacionados na garagem da ignorância. Mudar dá trabalho em qualquer setor de nossa vida, mas mudar para melhor sempre nos traz maior conforto, alegria, paz.

Quando falamos em mudanças espirituais, isto é, as mudanças morais do nosso comportamento diário, somos conformistas, apáticos e anêmicos de coragem. Mudar dá trabalho. Queremos, pois, a felicidade sem trabalho, queremos colher sem termos plantado.

Vencer o egoísmo camuflado em nós atrás do nosso sorriso, dominar a inveja, o ciúme, a mania de criticar a tudo e a todos acreditando que somos os tops de linha nesta terra onde santo é exceção, é material necessário de edificação de quem somos para quem queremos ser.

Não foi a toa que o maior filósofo que a Terra já conheceu, J.C., disse-nos que deveríamos construir a nossa casa sobre a rocha e não sobre a areia.

Entra ano, sai ano e podemos nos perguntar: onde estamos construindo a nossa casa? Embaixo dos barrancos  do ciúme e da maledicência que a levarão ao chão? Onde as águas barrentas da lama da inveja, do orgulho e do egoísmo que vivem em nós nos darão uma rasteira e nos afogarão? Ou sobre a rocha, onde as tempestades dos conflitos de convivência  não a derrubarão?

Lembremos de que a  vida é implacável. Não tem meio termo quando se trata dela.

Que em 2012, possamos acreditar mais em nós mesmos, vencer  as nossas imperfeições,  estas que nos atravancam o progresso  e o acesso à felicidade, confiantes de que o ano é novo e a vida se renova sempre,  e que devemos nos envolver nesta atmosfera de renovação e recomeço para ai, sim,  finalizarmos o ano brindando as metas cumpridas e fartando-nos, não de comida material, mas de alimento espiritual: a tão sonhada paz. 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 10h24
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      “Tenha medo de morrer”

 

         Outro dia, enquanto assistia a uma palestra, ouvi o orador dizer esta frase: “Tenha medo de morrer”. A frase me chamou a atenção. Medo de morrer... Pensei: por que deveríamos ter medo de morrer?!

         André Luiz, no livro Nosso Lar, disse o seguinte: “Oh, amigos da Terra, quantos de vós podereis evitar o caminho das amarguras com o preparo dos campos interiores do coração. Acendei vossas luzes antes de atravessar a grande sombra. Buscai a verdade antes que a verdade vos surpreenda. Suai agora para não chorardes depois”. Ele poderia ter seguido viagem sem olhar para trás. Sem se preocupar com os que ficaram na missão. Mas não o fez. Foi fraterno. Foi Cristão. Fez ao próximo o que gostaria que lhe fizessem.

         A verdade é que “Somos espíritos vivendo uma experiência humana, mas vivemos como se fôssemos humanos passando por uma experiência em espírito”, já disse um pensador.

         Temos medo de espíritos sendo que somos espíritos escondidos dentro de uma “caixa” de carne e ossos brincando de esconde-esconde conosco mesmos. Temos medo de voltar para o lugar de onde viemos: a nossa pátria espiritual. Ou temos um medo inconsciente do fracasso? Medo de não ter cumprido como deveríamos e ser cobrados pelo que fizemos e pelo que deixamos de fazer em nossa missão?

         Missão, mas que missão?!

         Há quem acredita que estamos no mundo de férias. Que leva a vida na sombra e na água fresca, regada a festas, bebidas e muita diversão. Triste ilusão.

         Ilusão de acreditar que a escada para o Céu é rolante e não precisará de nenhum esforço para alcançá-lo. Ilusão de que o Céu, lugar acreditado ser o acesso àqueles que dedicaram horas de oração a Deus e doações daquilo que não mais lhe servia,  é apenas o andar de cima. Ilusão de que os bens materiais comprarão o passaporte para as Colônias de Férias Celestes. Ilusão que o mal, em ações e palavras aos nossos semelhantes, aqui na Terra, não prejudicará o embarque para Mundos Celestes. Quanta ilusão.

         Não te estranha que a Terra seja um planeta de sofrimentos infinitos?! Quanto mais ignorante a criatura, mais sofre. Vale lembrarmos que ignorância não está associada à classe social, porque podemos encontrar pobres sábios e ricos ignorantes.  A sabedoria se encontra na alma da criatura, no processo de vida que o ser já conquistou e não perde jamais.

         William Shakespeare, nascido em 23 de abril de 1564, há quase 500 anos atrás deixou-nos uma das frases mais verdadeiras que já ouvi: “Só há uma treva: a ignorância”. E precisava dizer mais?!

         A ignorância é a ausência do saber. Se não existe a informação, paciência.Mas se existe a informação e eu  não quero saber para não ter que sair do comodismo que me apraz, que eu me lembre sempre de Shakespeare, da ignorância, da treva...

         Nossa ignorância ainda  continua sendo a causadora dos nossos sofrimentos seja no corpo ou fora dele.

         “A verdade vos libertará”. É preciso escrever quem disse?! Mas quem disse “Tenha medo de morrer” foi apenas um orador a serviço do bem.

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 14h46
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      Doença: processo de cura da alma

      Por que adoecemos? Por que a doença aparece para uns de forma devastadora e pra outros de maneira tão sutil que logo vai embora sem deixar sequelas sequer? Sem contarmos os que nunca adoecem.

         Todos nós já sabemos que a doença entra em nossa vida por algum motivo especial. Basta analisarmos o nosso quadro emocional quando estamos diante de situações que nos colocam de repouso, param as nossas  atividades diárias e definitivamente tentam nos mostrar alguma coisa que precisamos entender e mudar em nossas vidas.

         Para o adulto doente, esta questão é puramente compreensível. Mas, e para os bebês, as crianças em tenra idade que manifestam uma ou outra doença que não faz sentido existir dentro de corpinhos tão pequenos e singelos?!

         Poderíamos jogar a culpa em Deus por criar seres tão imperfeitos em se tratando de saúde; isto, se a lógica não nos permitisse entender a frase de Jesus: “A cada um segundo suas obras”. Ora, cada um de nós é responsável pelas ações que executa ao longo de nossas vidas. Ações positivas efetuadas voltam na mesma proporção. Negativamente, o mesmo acontece. Afinal, “Para cada ação existe uma reação”. Isto é lei da Física. Isaac Newton concretizou-a em palavras e demonstrações.

         Muitas pessoas acreditam que uma doença é um castigo. Eu não consigo pensar assim. Deus não age com insanidade, mas com Sabedoria. Ele só nos dá a oportunidade de começarmos uma nova corrida ainda que com um carro aparentemente novo, porém marcado pelas batidas e estragos adquiridos com o tempo anterior. Não é um Pai carrasco, mas Justo e acima de tudo Bom.

         Entender que a dor é um processo de cura da alma em qualquer idade é uma faculdade de compreensão além dos limites materiais que nos cercam e que nos permitimos ficar presos a eles. Quebrar resistências e querer analisar a vida aliada aos conhecimentos da Ciência é sinal de inteligência.

         Disse o Pensador Ivan Teorilang: "As doenças ampliam os horizontes de nossa alma, fazendo-nos duplicar os valores que realmente importam e que, antes, pareciam inexistentes".

         É claro que não devemos esperar pelas doenças para fazermos as reais mudanças em nossas ações do dia a dia. Perdoar, amar, respeitar, ser fraterno, solidário são pequenos grandes passos que podemos dar em favor do outro e, na exata proporção, em favor de nós mesmos. E uma vez encontrando-nos doentes, sem tempo para iniciar o processo de cura da alma,  agirmos da mesma maneira para encontrar em Deus a Misericórdia de recomeçar a corrida.

        



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 14h46
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     “Nunca desista de ninguém”

         Foi num diálogo com uma amiga que esta frase surgiu. Eu não sou do tipo de desistir fácil das pessoas. Costumo desacreditar somente quando me provam que não são dignas da minha confiança. Mas nesta semana, quando já estava decidida a desistir de tentar compreender e ajudar uma companheira de jornada terrena, a frase “bem dita” bateu em meus ouvidos.

         Queremos que as pessoas nos compreendam. Desejamos que o mundo nos ouça sempre e, sobretudo, nunca nos deixe no vácuo, ainda que estejamos equivocados. Esperamos que aqueles que convivem conosco argumentem, contestem, briguem até, mas nunca desistam de nós.

         Fazemos aos outros o que não queremos que nos façam nunca!

         Nas relações do cotidiano, no trato familiar, em especial na relação que nossos pais tiveram conosco, marcou mais aquele que sempre nos aconselhou e perseverou (e ainda permanece a acreditar em nós) sobre as nossas ações errôneas para que aprendêssemos um dia. Não importa qual tenha sido a lição. Por outro lado, quando estamos diante dos nossos filhos, principalmente aqueles que exigem mais da nossa capacidade de argumentar, explicar, justificar, falhamos, nos irritamos, porque ainda somos incapazes de corresponder ao que necessitam naquele momento. Muitas das vezes é comum a fala: “Desisto! Eu não vou falar mais nada, não adianta! Ele não me escuta! Vou entregar pra Deus!”. E é aí que falhamos.

            Falhamos gravemente quando desistimos do outro. Provamos para nós mesmos que somos incompetentes e fracos. Não foi em vão que Thomas Edison, o inventor da lâmpada elétrica incandescente, entre outras invenções, disse: “Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez”. Sendo assim podemos concluir, grosso modo, que se não quisermos sofrer por lutar é melhor que nem vivamos. Não faz sentido viver na ociosidade.

         Se quisermos, no entanto, persistir, torna-se imprescindível  fazermos uso de algumas palavras mágicas diárias segundo G. Mistral: “Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço”.

         Vale lembrarmo-nos  que não desistir do outro não significa tentar colocá-lo na forma que melhor nos convém. E vale também, atentarmo-nos que no processo da paciência e da perseverança nas diversas relações vamos transformando-nos e tornando-nos  melhores, simultaneamente.

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 07h14
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      Consciência: construção de concreto

           

         Outro dia, estava ouvindo o adolescente dizer para seus pais: “Vocês foram muito espertos de colocar consciência em mim”. De fato, ele estava com a razão. Não podia fazer o que os outros jovens, sem consciência, fazem por aí. Não podia infringir regras porque sua consciência logo o acusaria.

         Consciência se constrói na infância do sujeito, nos seus primeiros anos de vida, na relação com os outros, e não na adolescência.  O que os pais fizeram, na infância, já se encontra estruturado na adolescência, pronto para ser analisado: se foi de palha, madeira ou tijolos, tal como na história dos Três Porquinhos.

         Poderíamos entender por estrutura de palha a educação mais frágil, sem presença, sem carinho, sem diálogos, sem bons exemplos, sem limites, sem vínculo religioso. Ao primeiro vento forte da solidão, da tristeza, da dificuldade, é jogado ao chão dos vícios e da vontade de morrer.

         Quanto à segunda estrutura, a de madeira, entenderíamos como uma educação nem tão fraca, nem tão forte. Os pais acreditam que um pouco de presença, o mínimo de carinho, uns raros diálogos, alguns bons exemplos, uma dose ínfima de limites e ensinar o ‘Pai-Nosso’ na hora de dormir darão aos seus filhos o suficiente para serem fortes frente aos tufões da vida. Ledo engano.

         Somente na terceira e última estrutura encontraremos a verdadeira construção, cuja base é forte o suficiente para não esmorecer, trincar ou desmoronar diante das adversidades do cotidiano. Apenas a educação baseada na quantidade necessária de elementos construtores surtirá o efeito desejado na obra: a presença verdadeira para preencher os espaços vazios da alma de uma criança, o carinho das palavras e do abraço a ela ofertados, o diálogo que tira qualquer dúvida e constrói nela pensamentos salutares, os melhores exemplos que norteiam os seus passos, os limites que podam seus excessos para o seu fortalecimento e crescimento e, por fim, a relação de amor e respeito a Deus e aos ensinamentos nobres  que fez e faz chegar até nós.

         Construir uma vida confiada a nós, pais, é missão das mais valiosas. Negligenciá-la para termos mais tempo para brincar de correr atrás nos nossos interesses materiais e pessoais não nos isentará dos sofrimentos que um dia teremos que enfrentar.

         Que possamo-nos utilizar da melhor estrutura na construção da educação de nossos filhos para que consigamos nos orgulhar das mansões de concreto que edificamos  em suas consciências, suas almas.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 16h24
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Amar os nossos inimigos?! Para quê?!

        

         A mulher estava assistindo a TV quando o entrevistador, à rua, saiu a perguntar as pessoas: “Para onde você acha que vão os políticos corruptos depois que morrerem?”. As respostas foram das mais variadas possíveis. Imagine. Um disse que “vai para o Céu”; o outro, “para o inferno”; um terceiro alegou que “iria ficar com Deus”; o quarto, “para o cemitério”. E assim foi que eu pensei: para onde vão estes que passaram pela vida terrena prejudicando as pessoas, lesando econômica e culturalmente seres da sua própria espécie, utilizando indevidamente o poder sobre os outros  para benefício de si e de seus interesses pessoais?!

         Quando Jesus disse: “Meu reino não é deste mundo”, propôs-nos a pensar em outro mundo além da Terra, é óbvio.  Seria o Céu, este espaço ora azul claro, ora escuro, e onde não enxergamos ninguém?

         Segundo nos conta Mateus, as palavras do Mestre referentes à nossa reflexão teriam sido as seguintes: “Concerta-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao juiz e que o juiz te entregue ao seu ministro, e sejas mandado para a cadeia. Em verdade te digo que não sairás de lá enquanto não pagares o último ceitil.”

         Ora, para os que acreditam que ao morrer tudo acaba, por que Jesus nos diria para concertarmo-nos com nossos inimigos enquanto estivermos a caminho com ele?

         Entendo que o termo ‘enquanto estás a caminho com ele’ seja sob as mesmas condições físicas, da matéria, podendo ainda olhar no olho dele e desculpar-se verbalmente ou em ação direta para o seu entendimento.          Quanto à cadeia, seria no céu ou no inferno?

         Seria bom que os políticos corruptos tratassem de se concertar conosco sem demora para benefício deles. Mas, e quando somos nós os inimigos que lesaram alguém emocional ou financeiramente? Não podemos nos isentar, também, da  posição de inimigos quando não perdoamos os nossos ofensores. Tornamo-nos seus inimigos.

         Fica entendido que, uma vez caminhando na condição de inimigos, antes de partirmos, não podemos haver deixado para trás nenhum inimigo, ninguém que não tenhamos nos reconciliado quando estávamos lado a lado com ele. Pois o caminho é claro, como nos foi dito.

         Tratemos, com urgência, de perdoar  se fomos os ofensores, bem como solicitarmos o perdão frente aos nossos erros. Contudo, não basta pedir perdão ou perdoar: é preciso amar. Simplesmente porque o amor é o sentimento que mede a nossa grandeza espiritual e carimba o nosso passaporte para algum mundo bem melhor que o da cadeia.

         A propósito,  como seria esta cadeia?

 

Denize do Nascimento Gonçalves



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 15h50
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       Título de Capital da Educação

         Receber e conceber um título como este é, sem dúvida, motivo de orgulho para toda uma cidade, sobretudo, para aqueles que administram o seu progresso. Aliado ao orgulho segue a responsabilidade a pesar por sobre os ombros, para não dizer ‘consciência’, daqueles que têm o poder em suas mãos, que pública ou particular atuam sobre centros educacionais.

         Sabemos que educar um povo é muito mais do que fornecer livros, estudos e conhecimentos. Mahatma Gandhi, em sua sublime sabedoria sobre o assunto disse, certa vez, que "A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer atualizar o melhor de uma pessoa. Que livro melhor   que o livro da humanidade?”.

         Ken Mehlman veio a somar quando falou a seguinte frase: “Em um mundo onde existe uma riqueza de informação, existe frequentemente uma pobreza de atenção”. E é aí que o processo educacional, a meu ver, tem perdido a grande oportunidade de marcar história, dividir a educação em duas épocas: antes de se preocupar com o homem como ser sensível e depois de atentar para a sua base que é o sentimento.

         Tenho observado o quanto as férias deixam os estudantes com saudade da escola. “Dos estudos?!”- pergunto-lhes. “Não, dos amigos”- respondem-me.

         Alegamos aos alunos que o estudo é importantíssimo para a vida. Sem dúvida o é. Falhamos quando deixamos de dar a eles conteúdos que os nortearão por toda a sua existência exatamente na relação que os une aos outros seres e que se ligam instintivamente. São eles os conteúdos do respeito que muito têm faltado nas escolas, nas salas de aula, nos lares, nas ruas; do perdão, que por sua falta levam tantos a odiarem, a matarem, a se drogarem, a adoecerem, a suicidarem; da paciência que tantos sofrimentos podem evitar e muito contribuir nas relações do cotidiano e tantos outros mais.

         A educação continua sendo voltada para uma espécie de  homem máquina, aquele que produz, dá dinheiro, rentabilidade, “prosperidade” à toda uma nação. Como máquina programada trabalha até quebrar. Depois de muito produzir, segue para um monte de ferro velho sem que ninguém lhe pergunte: “E aí, máquina, você quer dizer alguma coisa?”.

         As dinâmicas de grupo foram criadas há décadas para trabalhar sentimentos, nortear pensamentos, eliminar bloqueios, abrir novos caminhos, direcionar condutas que venham aprimorar pessoas, grupos, e assim, transformá-los para melhor. Quem de nós conhece um único estabelecimento de ensino cuja disciplina ‘dinâmica de grupo’ está inserida em sua grade curricular?  Profissionais para estas missões estão por aí, fazendo parte de uma época que ainda não se preocupa com os sentimentos humanos, mas com o progresso material onde o  homem ainda é a betoneira.

         Horace Mann, foi um estadunidense, educador e abolicionista,  enviado em missão à Terra em 4 de maio de 1796 e retornado ao seu lugar de origem em 2 de agosto de 1859. Não partiu sem antes nos deixar uma frase capaz de nortear nossa passagem pelo planeta: “Sinta-se envergonhado de morrer até que você tenha conseguido alguma vitória para a humanidade”.   



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 15h49
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      Geração solitária

        Neste fim de semana, eu estava conversando com uma amiga e educadora, que ainda atua no trabalho da sala de aula como professora; no alto da conversa, disse-lhe que hoje, os pais, 99% deles, estão muito distantes dos filhos. Ela corrigiu-me dizendo: 99,9%.

         Cada pai numa ocupação noturna. Cada mãe envolvida em interesses particulares do despertar ao deitar. Atrás dos silenciadores bancos escolares, do individualizador computador ou da hipnotizadora TV, arrastam-se os anos dourados da infância e da adolescência do filho. Quando há um segundo filho, está no outro cômodo da casa, vendo ou fazendo o mesmo que o irmão, mas em sintonia diferente.

         Parece-me que na história da humanidade, o homem nunca esteve tão só, envolvido em seus interesses pessoais, seus eletrônicos que entram como diversões no lugar das pessoas. Vale apenas lembrarmo-nos que  eletrônicos distraem; pessoas preenchem.

         Há quem gosta da solidão. Tem prazer em sentirem-se sós, como tantos já o disseram. Mentira. É certo que encontrar pessoas que preenchem as nossas necessidades afetivas é tão raro quanto encontrar uma nota de cem reais pela rua. É mais fácil dizer que existe prazer em sentir-se só.

         Não é incomum, entretanto, encontrarmos nesta geração de jovens atuais o gosto por estarem sozinhos. Claro, é o que os pais têm proporcionado a eles. Ninguém descobre o valor e o sabor de algo que não se tenha experimentado. Resta para eles um vazio que vem tendo que ser preenchido das formas mais tristes possíveis ao sabor de suas necessidades inconscientes.

         Quando Vinícius de Moraes disse que “mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão”, foi digno de aplausos. Aí está a explicação de valorizarmos a presença nesta cadeia de relacionamentos terrenos. Ainda que todas as nossas necessidades emocionais de preenchimento de atenção e carinho não sejam correspondidas, vale-nos possuir o mínimo de amor em lugar da solidão.

         A esposa que reclama a dificuldade do marido em discutir a relação; o marido que se entristece pela falta de carinho e atenção da esposa no seio da família; o filho que sente a ausência e distanciamento dos pais; tudo reflete solidão.

         Lembremos que a criança e o adolescente solitário de ontem já pode ser a mãe ou o pai quieto e vazio, a esposa ou o marido ausente, isolado, frio e distante de hoje. Poderá ser também o do futuro. O mesmo se refletirá no ser profissional, no companheiro de trabalho,  no patrão. Onde quer que vá será sempre uma máquina a caminhar movida apenas pelo óleo dos interesses pessoais e materiais, estes que fizeram de si uma criatura movida por peças e não por sentimentos.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 15h38
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     Hoje, o normal é anormal

         O garoto, adolescente, por ser tempo de férias, saiu a viajar rumo aos parentes de outro ponto do país. Casa de tios, primos e avós. Até aí, tudo bem. Mas este garoto, filho de pais presentes e amigos, cercado de atenção, diálogo, reflexões, não demorou muito para perceber-se diferente dos primos e amigos de seus primos. Por sua vez, o primo logo falou: "Eu não vou levar este garoto comigo pra sair com meus amigos porque ele não vai entender. São amigos usando maconha, bebendo, fumando... Ele vai é se assustar".

         Os tios chegaram a dizer-lhe que seus pais não o prepararam pra vida, pro mundo, porque hoje tudo isso é normal... Por fim, o garoto chegou a ficar confuso e chateado com os pais. Com o passar dos dias, sua avó, percebendo sua angústia, disse-lhe: "Meu filho, seus pais lhe deram a melhor educação, mas isto você só vai ver lá no futuro...".

         Você sabe o que é a voz de uma pessoa de idade para um garoto no auge da sua adolescência.

         É bem verdade que não costumo acompanhar novelas, embora sempre diga que é um dos melhores meios de se educar um filho; isto se estivermos, de fato, presentes ali com ele, compartilhando as imagens e refletindo sobre elas, caso contrário, não assino embaixo.

         Percebi que virou interesse dos meus filhos assistirem a reta final de "A favorita" pelas suas tramas cheias de reviravoltas. Senti-me no dever de acompanhar seus últimos capítulos na presença deles. Dada à hora de começar o "momento reflexivo" eu ouço: "Mãe, corre, vai começar "A favorita".

         Já sentada, a cena. Pra ninguém esquecer. Das mais marcantes que já vi em minha vida, tamanha a sensibilidade do autor: a irmã, atual vítima, descobre como atingir sua perseguidora cruel e cheia de mágoas e ódios. Sua irmã. A descoberta foi a de resgatar o momento que gerou a maior mágoa de sua história e que desencadearam outras tantas: uma boneca. A partir daí, os pedidos de perdão de quem queria a liberdade, acrescentado de arrependimentos por não ter dado à irmã o carinho que ela tanto precisava e esperava receber. A vilã foi tocada em sua essência emocional.

         No desabafo, o lamento sobre o desafeto em que foi criada, as vezes que apanhou de seu pai, os elogios que eram dirigidos somente à irmã, o amor que não foi demonstrado por ambos, o sentimento de não ser a favorita de seu pai legítimo, mas a irmã adotiva... Tudo isso gerou um distúrbio em sua alma que a levou a encontrar prazer nas mortes de tantas pessoas e nos sofrimentos de outras tantas por pura tentativa de satisfação emocional. Um vício.

         Então, concluímos: nunca que os lares estiveram com tanta desarmonia. Quando não são os pais que buscam saciar seus vazios emocionais com os seus vícios, trazendo para os filhos o mau exemplo e a vergonha, são os filhos que estão preenchendo a vida de seus pais com tristezas, dissabores e preocupações. Jovens e adultos nunca estiveram tão perdidos frente à estrada reta que deveriam seguir. Adentram por uma estrada sinuosa, perigosa, que os impedem de enxergar ao longe, correndo sempre o risco de encontrarem buracos após as curvas ou qualquer outro perigo que possa riscar suas vidas.

         É importante atentarmo-nos para a sociedade em que vivemos. Vícios nunca foram sinais de equilíbrio mental e emocional. Repetir os atos dos outros para sentir prazer, se promover e, enfim,  sentir-se normal entre os anormais é suicídio.

         Que não nos permitamos ser induzidos pelos desequilíbrios alheios. Bom senso continua sendo o melhor caminho.

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 08h40
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          Bom humor para 2009!!!

         Muitas pessoas já me ouviram comentar sobre o que mais gostei quando vim morar em Votuporanga: o atendimento que vendedoras e vendedores dão ao público. Das lojas mais simples às mais requintadas, o tratamento é sempre o mesmo.

         Por trás destes trabalhadores podemos encontrar pessoas humildes, que trazem no rosto uma postura séria na chegada, mas acompanhada de um sorriso aberto a quem gosta de sorrir, como todo bom paulista.

         É assim que tenho observado as pessoas. Tenho percebido o quanto elas gostam de sorrir, de responder ao bom dia, ao olá, ao rosto que se abre para simplesmente cumprimentá-las.

         Raramente encontramos alguém tomado pelo mau humor. Pense como isso é verdade. Para nós que utilizamos do comércio apenas como meio de entrada e saída rápidas, podemos dizer assim, mas quem trabalha no comércio sabe, que ali, passam todos os tipos de pessoas, do mais educado ao mais ignorante. E o comércio torna-se então a maior escola da vida.

         Nos relacionamentos diários, o mau humor tende a afastar as pessoas. A convivência torna-se desgastante e cansativa e muitos desistem no caminho de socorrer estes mais necessitados.

         É certo que ninguém muda ninguém. Alguém só muda quando se permite mudar, quando deseja alterar sua vida e passar por uma transformação. Mau humor é porta aberta para o insucesso e para a infelicidade. Você já viu um mal-humorado de bem com a vida?!

         O pensador, Alfred Montapert, encaminha-nos para uma visão bem abrangente com relação a tudo isso. Ele diz: "O bom humor espalha mais felicidade que todas as riquezas do mundo. Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança e de esperar o melhor e não o pior".

         Que em 2009 possamos aperfeiçoar o nosso bom humor, levando aos conhecidos e desconhecidos a felicidade que é proveniente da nossa riqueza interior, esta que se dá através do sorriso, do cumprimento afável e do tratamento fraterno.

         Que possamos olhar as coisas, as pessoas, as lutas do dia-a-dia com esperança, e assim esperar sempre o melhor de cada um deles e não o pior.

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 12h59
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     Presente de Natal...

         Afinal, de quem é o aniversário?!

         No corre-corre das compras de Natal, a preocupação tem sido mesmo é com os presentes. Presentes e mais presentes. Época difícil a do Natal. Tanta gente para presentear. E o que é pior, não damos a cada uma delas o presente que gostaríamos de dar. Só aí já ficamos meio frustrados e entristecidos com a data.

         Ora, mas de quem é mesmo o aniversário?!!

         Nossos Natais, ao longo desses anos, têm-se passado assim. Muitas preocupações com o que comprar e dar, como pagar, e até em quantas parcelas dividir o presente. Estas têm sido, na verdade, as causadoras de muitas alegrias momentâneas nos seios das famílias e nos círculos de amizades que se encerram na noite de Natal. Amigos e até inimigos secretos compõem as brincadeiras regadas a presentes. O ano se inicia e o autêntico presente do verdadeiro aniversariante acaba ficando engavetado nas almas à espera de uma próxima oportunidade.

         Quando somos convidados para um aniversário, é claro que nos preocupamos com o presente. Mas se não podemos ir, raramente nos ocupamos de comprá-lo e, assim, o entregarmos ao companheiro que nos convidou. Por que com Jesus seria diferente?!

         O Natal tem sido este convite que raramente damos valor.

         A oportunidade de adquirirmos o presente de Jesus,  não se encontra nas lojas comerciais, mas nos departamentos de nossa personalidade moral e emocional cujos produtos fabricamos, um por um, na fábrica do nosso livre-arbítrio. Personalidade, esta, que tem nos proporcionado a má vontade de adentrarmos, escolhermos e retirarmos os produtos que compõem os presentes esperados...

         Poderíamos entregar para Jesus todas as nossas mágoas, e Ele certamente ficaria muito feliz. Ele as jogaria no universo do esquecimento e lá, desapareceria para sempre, para a nossa felicidade.

         Poderíamos entregar para Jesus todo o nosso orgulho e egoísmo, e Ele, certamente ficaria muito feliz. Ele colocaria em nossos corações a humildade e o sentimento de fraternidade e caridade e nos preencheria de paz.

         Poderíamos entregar para Jesus todos os nossos vícios e falhas resistentes, e Ele, certamente ficaria muito feliz. Ele levaria os nossos sofrimentos e nos deixaria a fé: o sentimento que nos move para frente, ao contrário dos vícios e das falhas.

         Na noite de Natal, como deve ser dolorosa a espera dos presentes e o não receber o que se espera...  Em cada Natal que se vai e os presentes  que não vêm, Jesus, na sua grandeza espiritual aceita passivamente o NÃO como presente, o presente que ainda não temos a boa vontade de dar porque comprar ainda é mais fácil.

         Que neste Natal consigamos fazer diferente: dar a Jesus o presente que sai de nossas almas. E quanto aos outros, seria melhor a união dos relacionamentos, a gratidão em palavras, o abraço fraternal, o beijo que selasse a paz, o olhar carinhoso e tantos presentes que carecemos de receber. Mas enquanto não conseguirmos acreditar que estes são os melhores presentes, façamos como podemos.

 

Aos amigos leitores o meu carinho e a minha gratidão pelo caminhar de mais um ano juntos em nossas reflexões. Que Jesus, nosso Mestre e Amigo incondicional de nossas almas, nos fortaleça em 2009 para uma nova etapa de nossas vidas.

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 12h57
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    Qual é a sua capacidade de perdoar?!     

     Perdoar é, sem dúvida, uma das maiores virtudes que nós, seres humanos, necessitamos alcançar. Perdoar é vencer o orgulho. É sinal de inteligência. É nota máxima na prova mais difícil na escola terrena: a da humildade.

         Esquecer as ofensas. Apagar as traições. Dissolver os ressentimentos. Só consegue perdoar quem aprendeu o sentido amplo do amor. Jesus, por sua grandeza espiritual, nos ensinou a perdoar sempre, infinitamente, aqueles que ainda falham conosco. Incrível é que relutamos em perdoar, nós que ainda falhamos e necessitamos tanto do perdão alheio.

         Somos seres pueris. Todo o mal que fazemos a alguém é sempre passível da nossa compreensão e do nosso perdão porque nunca é maior do que o mal dos que falham conosco. Temos o hábito de sermos cruéis com os outros e bondosos demais com os nossos próprios julgamentos. Os outros são sempre condenados e nós, absolvidos de qualquer punição.

         Quantos de nós carregamos em nossas almas o peso da mágoa acreditando que estamos fazendo um bem imenso para nossa vida. Mas é o contrário. Quantos não guardam ressentimentos de um pai, de uma mãe, de um patrão, de um funcionário, de um afeto e mais comum, de um desafeto, com a certeza de estarem agindo certo?!

            Quando Emmanuel ditou a frase: "Mais fácil sofrer, difícil é perdoar", convocou-nos a entender sobre o que deveria ser  mais fácil e não é. Perdoar. Contudo, optamos por sofrer. Sofremos por vontade própria.

         Vale lembrarmo-nos de Gandhi quando mostrou-nos o nosso tamanho diante da virtude do perdão ao dizer: "O fraco jamais perdoa, o perdão é característica do forte."

         Então nos questionamos sobre a nossa capacidade de perdoar: somos fracos ou somos fortes.

         Permanecer fraco é sinal de perda, de fracasso, de impotência. Ser forte é característica de quem se esforça para ser melhor, em vencer a si mesmo nas suas limitações.

         Um ano se passou. Não volta mais. Oportunidades estiveram à nossa porta dia-a-dia para dormirmos com a consciência tranqüila. Quantos de nós chegamos ao final com a sensação de leveza e de paz por termos sido capazes de perdoar?

         Para um ano que se inicia, tenhamos em mente uma frase  de Martin Luther King: " O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício".

         Por fim, perdoar... Quem de nós já tiver capacidade de perdoar, que perdoe.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 22h40
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      Reciclando o nosso lixo emocional

        As toneladas de lixo que saem de nossos lares vêm mostrando, para cada um de nós, o tamanho da ignorância que tem nos acompanhando pela nossa falta de informação e, ou mesmo pela ausência de boa vontade.

         A cada dia que vai passando, porém, vamos percebendo, ainda que lentamente, uma necessidade de contribuir com um planeta que grita, em silêncio, por socorro, a fim de que  não se acabe e, conseqüentemente, nós também.

         Ao longo de nossas vidas podemos perceber os incontáveis lixos emocionais que vamos acumulando em nossas almas pela dificuldade que temos de reciclar os dissabores, os sofrimentos, as angústias, os problemas, os conflitos, as decepções. Costumamos lançá-los no lixão emocional acreditando que as moscas da mágoa e o mau cheiro do inconformismo jamais nos atingirão. Ledo engano. Nossa ignorância continua abrindo as portas do sofrimento para passarmos e, obviamente, sofrermos.

         Poderíamos, então, definir ignorância como sendo o desejo inconsciente de sofrer, de permanecer na escuridão ainda que a luz esteja ao lado, de manter-se de olhos fechados diante da oportunidade de enxergar.

         Lavoisier, cientista francês (1743) tornou popular e aceita mundialmente uma frase que contribui e muito com nossa reflexão: "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". Se reciclar os materiais que não têm mais utilidade para nós tornou-se valioso, por que reciclar as nossas dores emocionais não o seria?

         Não existe crescimento sem dor. Não existe melhoria sem sacrifício. Não existe construção sem esforço. Todo sofrimento é um bem mal interpretado. Toda dor prenuncia um avanço a quem estava dormindo.

         Negligenciarmos o planeta é tão sério quanto negligenciarmos a nós mesmos. Temos negligenciado os dois lados. Se não temos realmente nos importado com a nossa morte emocional, por que nos importaríamos com o planeta?

         Vale lembrarmos que em cada amanhecer desponta uma nova oportunidade de fazermos diferente. Os dias têm se repetido para muitos, mas para outros já findados. Que possamos aproveitar o dia de hoje para encararmos de frente a questão da reciclagem de  todo os  lixos que têm nos impedido de fazermos jus à qualidade de seres racionais, criados para a felicidade, mas autores de tantos dissabores.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 22h36
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      Que valor tem os seus olhos?

 

         Nós, simples mortais, temos muitas vezes a pretensão de acreditar que somos muito, perante o Universo, no que toca principalmente às outras pessoas. Pura ilusão da ignorância. Feche os olhos e imagine-se cego por um instante. Tudo muda ao seu redor.

         Dias atrás, quando estávamos, lamentavelmente, em apenas cinco no cinema, ao término, ouvi meu filho dizer: Que filme! Poderia dizer que minha vida é uma antes de assistir este filme e outra depois dele. Este pensamento foi extensivo a todos nós.

         “Ensaio sobre a cegueira” inicia-se num trânsito caótico de uma cidade grande. Todos querendo chegar ao seu destino. De repente, um  carro pára e quando o sinal é aberto não segue o seu curso, o que  começa a prejudicar o andamento dos demais. Buzinas começam a disparar, gritos de “sai da frente” são ouvidos e o sujeito continua parado “atrapalhando” o trânsito. Havia perdido a visão naquele momento. Alguns pedestres que observavam a cena tomaram a iniciativa de ajudá-lo e, assim, permitir que os outros se “acalmassem”, seguindo o curso de seus interesses pessoais.

         Em pouco tempo, outras pessoas foram sendo acometidas do mesmo problema, e de profissionais valorizados e respeitados pela sociedade passaram a ser risco e perigo de contaminação para os demais. Foram enclausurados e tratados como “lixo da sociedade”.

         É interessante pensarmos sobre o que nos leva a crer que somos melhores que alguém se no instante que perdemos a visão o primeiro ato é de estendermos as mãos para frente em busca de apoio e de ajuda.

         Ora, o que impulsiona o homem ao crescimento interior, à busca de reflexões profundas que o agite interiormente e o transforme num ser mais leve, burilado, melhor, senão os materiais edificantes promovidos pelas próprias mãos humanas que acreditam na melhoria da vida do homem. É através da música, do cinema, do teatro, das leituras edificantes que temos evoluído com o passar dos séculos. Há os que se mantêm arredios a toda e qualquer forma de incentivo ao crescimento humano. Acreditam que conteúdos acadêmicos são o passaporte para ser rei.

         Dois dias depois do filme em questão, fomos convidados, por acaso, para uma noite de apresentações no Teatro Municipal de Votuporanga. Foi um dos maiores espetáculos que já assistimos. Parecia mesmo estar entre um grupo seleto, aqueles que realmente valorizam um grande show, show este, digno de apresentação internacional a representar o Brasil no que toca a sua verdadeira cultura. No palco, artistas idealistas, aqueles que acreditam no poder da arte em todas as suas faces para edificar a criatura humana. Raramente aceitos pela maioria. Falta apoio, falta patrocínio, falta reconhecimento, falta sensibilidade...

         Tanto no cinema quanto no teatro, fiquei pensando nas oportunidades que  abraçamos e em quantas deixamos passar. Abraçamos outras tantas que nos trazem prejuízos incontáveis porque somos conduzidos pela mídia e pelos autores da superioridade social.

         A propósito, se quisermos saber que tipo de lazer estamos trazendo para a nossa vida, basta que analisemos o tipo de bebida servida nestes ambientes: aquela que domina o corpo e lhe proporciona um falso prazer seguido de uma reflexão dolorosa cobrada pela consciência, ou do tipo que agita a alma de um prazer verdadeiro e  de um crescimento real.

         Vale lembrar daquela frase popular que diz: “Em terra de cego, quem tem olho é Rei”. E assim perguntar: sou súdito ou rei? Que valor, afinal, tem os meus olhos?



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 19h20
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    Você tem amigos?

 

            Apesar da ciência surpreender o mundo com suas maravilhosas descobertas no tratamento da maioria das doenças, não podemos  ignorar os números, cada vez maiores, de pessoas doentes, desde a depressão ao câncer, detendo-nos a não mencionarmos a lista infindável desses problemas que tiram o sono de qualquer criatura humana.

         Será que realmente queremos saber as origens dos nossos problemas, das doenças que vêm para nos sacudir a alma ou levá-la?

         Nunca, o homem esteve tão distante um do outro. Nunca, a espécie humana teve tão pouco tempo para conversar. Nunca, as pessoas desconfiaram tanto umas das outras. Nunca mantivemo-nos tão fechados àquele que pode nos ajudar: o outro.

         Estava lendo outro dia um texto destes filósofos contemporâneos cujo nome humildemente aparece como “desconhecido”, e que dizia o seguinte: “A amizade melhora a felicidade e diminui a tristeza, porque através do amigo, duplicam-se as alegrias e se dividem os problemas”. Ora, eu tenho me perguntado: como chegar às pessoas se elas se encontram fechadas para o diálogo, para uma nova amizade, para um parâmetro novo de relacionamento?

         Quando a filosofia de uma espécie parte da premissa: “só confio no outro quando este provar que é digno da minha confiança”, o outro pode ter se frustrado com a desconfiança e  partido sem poder contribuir, de alguma forma e deixado sua marca. Daí, vale a pena lembrarmo-nos de um pensador quando disse que se não aprendemos a confiar nos outros, dificilmente conseguiremos que eles confiem em nós.

         Dia desses, deparei-me com uma cena que me fez pensar mais a fudo esta questão. O passarinho chegara junto comigo no trabalho. À porta, entrou na minha frente. Tive que dar  um jeito de trazê-lo para a garagem. Percebi que se tratava de um filhote perdido. Parei à distância a fim de não perturbá-lo ainda mais e fiquei a expiar a cena. Rapidamente, apareceu um companheiro da mesma espécie que a sua. Voava do portão até ele, no chão; falava-lhe algo ao ouvido, e depois voltava para o alto do portão. Fez este trajeto umas dez vezes; algumas delas, voava do portão até a árvore do outro lado da rua, onde estava o ninho, mostrando-lhe para onde deveria voltar. Até que o amiguinho entendeu sua mensagem e munido de força e confiança, voltou para o lar.

         Se não fosse o amigo ter confiado nele, teria adoecido e morrido.

         Assim somos nós. Na falta de amigos para rirmos de verdade e diminuirmos a tristeza, duplicarmos as alegrias  e dividirmos os problemas, a doença é, somente, a conseqüência da ausência de amigos.

         Por fim, vale lembrarmo-nos de Confúcio para profundos esclarecimentos a respeito da amizade quando disse: “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça a qualidade”. Contudo, penso eu, que para atestarmos a amizade em quantidade ou qualidade é necessário que nossos corações estejam sempre abertos àqueles que possuem os medicamentos capazes de nos trazer saúde e felicidade.

 

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 12h27
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     O valor da gratidão

 

     Uma das coisas mais raras de se encontrar nos círculos humanos é um sentimento chamado: gratidão. Um pensador disse certa vez: “Mede-se a evolução espiritual de uma criatura através da gratidão que traz em seu coração”. Eu não sei quem a escreveu; só sei que é uma das frases mais lindas,  profundas e verdadeiras que já conheci.

         Um filho que não valoriza o amor e a dedicação de um pai e de uma mãe em sua criação; o marido que não reconhece a fidelidade e o esforço de sua esposa, e, vice-versa; a criatura que não agradece pela oportunidade da vida,  pelo alimento, pela água, pelo teto que a acolhe, pelo cobertor das noites frias, pela cama macia e por aí vai, o que lhe resta senão o sabor amargo do sofrimento?!

         Sofremos na exata proporção da nossa ignorância...

         Há mais ou menos dois meses atrás procurei uma casa de artesanato para pintar algumas cabaças cujo sonho trazia comigo há algum tempo. O que seria apenas uma ou duas aulas vem seguindo até hoje em função dos incontáveis benefícios que nelas encontro, a começar pelo contato humano e, sobretudo, pelo que dele posso absorver.

         Hoje, por exemplo, ao findar da aula, quando já estava guardando os meus materiais, ouvi uma integrante do curso fazendo a seguinte reclamação: “O pior de tudo é ter que carregar o peso desse material de volta pra casa”. Eu não contive as palavras em minha boca e na seqüencia completei: o pior, que é o mais triste de tudo, é quem está numa cama, doente, e não pode participar desta aula. Ela disse que o problema era de quem estava doente. Então, silenciei.

         Saí de lá numa reflexão profunda comigo mesma. Baseada no ditado popular: “Quem fala o que quer, ouve o que não quer”. Assim eu havia feito, e tranqüilizei-me. Por outro lado pensei,  se realmente eu precisava fazer uso daquelas palavras. A mulher já contava com seus sessenta e lá vão alguns anos; se até aqui não conseguiu agradecer a Deus pelos braços perfeitos e pelas oportunidades de lazer aos seus pés, quando aprenderá? Popularmente já se tornou conhecida a seguinte frase: “só na próxima reencarnação”. Foi o que pensei.

         É assim que vamos analisando o quanto as pessoas sofrem e com razão. Umas mais, outras menos, e não queremos saber ao certo a explicação. Criamos os problemas.  Vemos problemas onde eles não existem. E simplesmente sofremos. É óbvio.

         Shakespeare, quando escreveu que "A gratidão é o único tesouro dos humildes”, nos leva a considerar que os que não possuem gratidão não são humildes. E se o oposto da humildade é o orgulho, quem não é grato é orgulhoso.

         Concluímos, então, que o pensador cuja frase iniciou a nossa reflexão está profundamente correto. Que para alguém ter gratidão no coração é preciso ter humildade,  caso contrário, jamais saberá agradecer.

         Vale refletirmos sobre o nosso grau de evolução espiritual a contar da pontuação de zero a dez que damos para nós mesmos no que avaliamos como gratidão do nosso ser para com todo um universo que nos cerca.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 16h46
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      A crise mundial e o professor

 

         Há um dizer antigo que diz que a parte mais sensível do ser humano é o bolso. E é.

         O mundo há muito tempo anda em crise sob vários ângulos: violências dentro e fora dos lares, suicídios para aqueles que não se encontraram na vida ou se desiludiram totalmente; drogas tomando a vida de crianças, jovens e adultos; desempregos gerando conflitos familiares e pessoais; guerras deixando nos pais, esposas e filhos o peso da amarga partida... E nada disso assustou nem comoveu tanto o mundo quanto à “queda” de um modelo de padrão econômico de um país considerado como potência mundial.

         O professor tem sido ao longo da história o arquiteto maior de uma sociedade, fazendo o seu trabalho de formiguinha, e sendo valorizado como tal. O professor tem construído mentalidades que formam sociedades pensantes na mesma proporção do seu salário, de sua qualidade de vida, de seu desenvolvimento pessoal. Em se tratando de Brasil, segundo o comediante e apresentador Jô Soares, “O material escolar mais barato que existe na praça é o professor.”

         Houve um tempo em que o professor ganhava pouco, mas era respeitado. Uma época em que ser pobre e humilde era padrão comum de respeito entre as pessoas. As novelas, entre outros programas de TV, nortearam o pensamento de milhões de famílias para a nobreza do rico e do belo. E conseguiram. O padrão de vida de um professor hoje ainda não mudou, somente o desrespeito para com  a sua condição economicamente incorreta ao olhos de uma  sociedade onde só os ricos têm o seu valor real.

         O professor é aquele que norteia o emocional de uma criança e de um jovem e os faz confiantes ou inseguros: um gesto de compreensão e paciência para com o aluno molda-o e preenche-o no despertar para o aprender e para o respeitar; os gritos, as broncas e as humilhações geram a aversão ao estudo, o medo de errar e de se expor, os traumas em suas lembranças, na fase adulta,  tornarem-se fantasmas eternos. Daí,  o professor cultiva, como pode, as sementes que lhe vêm às mãos.

         Esta criatura cuja profissão lhe dá o título de professor é  a mesma que passa por crises financeiras há séculos, que traz suas finanças contadinhas para não faltar até o próximo mês; é a que menos se vê possibilitada diante da aquisição de livros, de lazer, de cultura que condizem com suas necessidades de aprimoramento  para o trabalho que lhe requisita conhecimentos, equilíbrio mental e emocional,  porque acrescido a tudo isso, tem seus problemas pessoais e familiares como qualquer outra pessoa.

            Que um dia a qualidade da educação seja uma meta não apenas traçada para apostilas e prédios, mas na valorização do professor como o profissional cujas mãos constroem as inteligências do mundo, trabalhando os verdadeiros valores da vida, estes que afastam os homens da violência, das drogas, do suicídio, das desigualdades que geram desempregos, das guerras provenientes da ignorância total.

            Quanto à crise, lembremos de uma só frase do mestre dos mestres, Jesus: "De que vale ao homem conquistar todos os tesouros da Terra e perder sua alma?"



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 15h42
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    Vai aí uma faxina?!

 

Por acaso, você conhece alguém que gosta de fazer uma faxina?!

A verdade é que não é comum ouvirmos alguém dizer que adora uma faxina; acordar cedinho e “mandar ver” na limpeza de toda a casa.  Mas que é muito bom estar dentro de um ambiente limpo e cheiroso, isto não resta dúvida.

Um grande número de pessoas que conhecemos prefere pagar para ter a casa limpa para não se envolver neste tipo de trabalho, e,  nas horas de folga, poder descansar. Os armários, gavetas e guarda-roupas são aqueles que sempre vão ficando pra depois; o pó vai acumulando; papéis, roupas e sapatos que nem se usam mais cumprem a missão de estagnar energias e impedir que elas circulem, não só no retângulo onde estão, mas em toda a casa, porque não é dever da funcionária organizar objetos pessoais dos patrões e, muito menos, saber o que não mais é do uso.

Transportando tudo isto para o interior de nossas almas, percebemos que muitos de nós nos acomodamos frente às faxinas que cabem exclusivamente a cada um. Podemos até buscar ajuda, o que torna a limpeza prazerosa e divertida, mas neste campo, o que se percebe, é um descaso muito grande com a higiene, já que limpar o que não se vê é gastar tempo e dinheiro à toa. Não é o que pensa a maioria das pessoas?!

Quantos de nós temos trazido a alma em situações precárias de tantos acúmulos de dejetos que já poderiam ter sido encaminhados para o lixo do esquecimento, mas que não abrem a lixeira do orgulho para que o velho dê lugar ao novo?!

Quantos permitem que os pós das tristezas, dos dissabores, dos conflitos de relacionamentos acumulem-se durante anos e anos criando uma grossa camada de sujeira promovendo alergias crônicas à felicidade?!

Não somos responsáveis apenas por nós, mas por aqueles que convivem conosco. Um ambiente sujo e contaminado não prejudica apenas a uma criatura, mas a todo um conjunto de pessoas próximas a ela. Lembremos da epidemia: doença que surge rápida num lugar e que acomete ao mesmo tempo numerosas pessoas; segundo o dicionário.

Em ambientes “sujos” e não cuidados devidamente, vale lembrarmo-nos de algumas  “doenças epidêmicas” que penetram na alma e  encontram ambiente propício para a proliferação: mau-humor, ingratidão, mágoa, estupidez, arrogância, melindres, inveja, ciúmes, entre outros. “Doenças” que impedem que a paz, a harmonia e a alegria, reflexos de saúde da alma, ocupem o mesmo espaço.

Mas o que é preciso, então, para se fazer uma faxina na alma?

Paulo César Coelho escreveu algumas dicas, como por exemplo: “sente no chão para separar as coisas boas, jogue no saco de lixo pedaços de retratos de um passado mal vivido, alguns fracassos ainda guardados...
Visite, num cantinho d’alma, a gaveta trancada a chaves... Segure o seu amor com carinho, dobre os desejos bem direitinhos, coloque perfume nos sorrisos”.

E se assim você tiver a nítida sensação de estar só, procure alguém para conversar. Alguém que você sabe que vai te ouvir, mas, sobretudo, falar as verdades que você tanto necessita para que a faxina em sua alma não passe de uma simples limpeza aparente.

Afinal, a alma é o nosso maior patrimônio, e o que é melhor, é imortal. Por isso, cuidemos bem de nossas  almas!

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 15h41
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     Orgulho: o devorador de almas

 

         Em todos os setores da vida do ser humano é comum encontrarmos o orgulho dominando relações, criando tementes e inseguros, inutilizando pessoas, destruindo vidas, a começarem por aqueles que o possuem.

         É realmente muito fácil percebermos o orgulho nas atitudes das pessoas; difícil é aceitá-lo dentro de nós.

         No final da vida, a velhice tende a nos curvar o orgulho, embora nem sempre seja unânime para todos. Há os que aproveitam os momentos de debilidades físicas, doenças, sofrimentos ímpares acumulados ao longo de suas existências, mas, há os que com tanta rigidez na alma  não conseguem se curvar.

         Quando Giuseppe Baretti disse que “O orgulho é filho da ignorância”, iniciou-nos o pensamento lógico de que todas as pessoas orgulhosas são ignorantes.

         Por sua vez, Shakespeare foi profundo quando falou que “Quem é orgulhoso a si próprio devora”.

         Ora, qual é o papel do orgulhoso senão acreditar que é o dono da razão, que sua ação está sempre correta, que o seu pensamento deve ser seguido por todos, que tudo deve acontecer em seu favor, que a última palavra tem que ser a sua e por aí vai?!

         Devorar a si próprio é matar-se na exata proporção de suas ações orgulhosas.

         François de La Rochefoucauld vem nos trazer uma frase para aprofundamento desta questão: “Se não tivéssemos orgulho não nos queixaríamos dos outros”. Então, queixarmo-nos dos outros nos faz acreditar que somos melhores do que eles?! Seria esta uma dura conclusão.

         Como falar do outro sem sermos orgulhosos então, já que “o silêncio é por vezes o maior orgulho que se pode mostrar”, segundo Bjornstyerne Bjornson?

         Analisemos: como gostamos que alguém nos aponte uma falha, um erro senão com respeito, delicadeza e serenidade? Logo, se carregamos n’alma o orgulho, que nos ditem com as mais sutis palavras porque não é nada fácil ouvir uma verdade cuspida em nossa cara.

         É preciso conhecermos a nós mesmos, seja no ambiente doméstico, na relação com nossos familiares, seja no trabalho, nos grupos sociais e, ou religiosos que freqüentamos, para que não nos demos conta daqui a algum tempo que fomos devorados por nós mesmos, que a vida passou, as oportunidades de crescimento se foram e acabamos ficando parados na estação por acreditarmos que aqueles que passavam e nos convidavam a seguir viagem nunca estavam com a razão.

        



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 15h40
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    Procura-se uma escola...

        

         Cuja meta não seja o vestibular, mas a vida.

         Onde o incentivo da nota 10 seja pelo comportamento e pelos princípios de vida e respeito ao próximo.

         Procura-se uma escola onde a brincadeira e o esporte estejam entre as prioridades da grade curricular para que a criança e o adolescente aprendam a superar suas dificuldades, a vencer os seus limites e a perder com humildade e sabedoria.

         Onde respeitar o professor seja uma conquista e não uma imposição através do grito, do constrangimento do aluno e da sua expulsão de sala de aula.

         Onde se compreenda que o ser é, sobretudo, formado de emoções e alma, e não apenas de intelecto.

         Procura-se uma escola onde o desequilíbrio emocional parta apenas do aluno, pois que este ainda se encontra em período de desenvolvimento, aprendizagem e formação, e carece do exemplo dos seus professores.

         Onde os educadores acreditem que a missão de educar mentes e despertar consciências é mais valiosa que a linha de conteúdos que deve procurar seguir, já que esperar da família, na maioria das vezes, tem sido frustrante e desolador para aqueles que abraçaram a educação como labor.

         Procura-se uma escola onde o amor seja o objetivo principal, para que a exclusão, o desdém, os rótulos, o bullying não existam e assim, não mutilem a auto-estima, não promovam a sentença de morte àqueles que não correspondem ao que se chamam “normais”. Onde as crianças aprendam a amar, antes de tudo a si mesma, a não se desprezarem, não se odiarem, e assim conseguirem amar e ajudar aqueles que estão próximos de si.

         Disse o filósofo: “Somos espíritos vivendo uma experiência humana, mas agimos como se fôssemos humanos  vivendo uma experiência em espíritos”.

         Se a escola não acreditar que pode mais, muito mais do que já faz, certamente o futuro destas gerações, que crescem fisicamente aos nossos olhos, entrarão na fase adulta vazios de sentimentos e pobres de relacionamentos, já  que o que aprenderam durante os seus anos escolares foi, apenas, para um único dia de suas vidas: o vestibular.

         Esta é a preocupação dos pais quando pensam unicamente no sucesso profissional e financeiro de seus filhos. A escola vem seguindo estes conceitos e cobranças e cometendo infinitas falhas que não a isentará nos resultados sociais provindos de sua participação.

         Quando Albert Eisntein disse que “Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo o que se aprendeu na escola”,  o que nos resta pensar?

          Paulo Freire acrescenta-nos quanto a isso dizendo:  “Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 13h22
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      Processos da mente humana...

           

            Uma das coisas mais difíceis do mundo já não é descobrir medicamentos  capazes de curar  doenças que já tirou e ainda tira a vida de milhares de seres humanos; não é conduzir o homem ao espaço e, lá, deixar satélites para monitorar a Terra. Certamente, uma das maiores dificuldades que enfrentamos neste planeta é entender os processos da mente humana.

         Nos conflitos do dia-a-dia, nos seios familiares, entre pais e filhos, maridos e esposas, noras e sogras; nas relações de trabalho, entre profissionais e clientes,   enfim, onde há mentes pensantes se relacionando, estamos sempre a questionar: “por que esta  ou aquela pessoa pensa e age assim?”.

         Sigmund Freud disse: “Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também, o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, "sem querer".”

         Muito curioso é, na maior parte do mundo em que vivemos, a embalagem ter mais valor do que o conteúdo. Por exemplo, dê um presente valioso num saquinho qualquer, em seguida dê um presente simples numa bela caixa artesanal com um colorido laço de fita. Você pode imaginar as reações diferentes.

         Ficamos pensando: de onde vem o princípio do valor da aparência em nossas vidas; de acreditarmos  que aquele que tem mais é melhor ou mais feliz do que aquele que tem ou aparenta ter menos?

         Onde poderia estar fundamentado tal princípio de acreditarmos que o melhor médico ou o melhor dentista não é aquele que atende na hora marcada em respeito ao paciente, mas aquele que deixa os pacientes acumularem-se na sala de espera para venderem a imagem de “profissionais por excelência”?

         Em que se fundamenta a valorização de um profissional que ordena para seus funcionários dizerem aos seus clientes que fora para um “Congresso” ao invés de um passeio com a família?

         Bem disse Freud. Não somos apenas o que pensamos ser, realmente. Somos mais; somos também o que lembramos;  de tudo o que fica gravado em nós, ainda que erroneamente; e também aquilo que esquecemos porque princípios éticos e morais atiramos fora de nossas vidas com uma facilidade incrível; somos as palavras que trocamos porque somos influenciados e influenciamos simultaneamente; somos os enganos que cometemos porque nem tudo que reluz é ouro, e dentro da espécie humana, os melhores perfumes continuam nos pequenos frascos, naqueles que as sociedades ainda não conseguem valorizar por ser “pequeno” aos seus olhos, e sofrem. Somos os impulsos a que cedemos. Sempre. Nossa cabeça continua sendo o nosso guia, para o bem ou para o mal.

         Darmos um passo a frente no processo evolutivo é o motivo pelo qual estamos presos a Terra. Mantermo-nos presos aos paradigmas criados por aqueles que ainda  vivem da aparência é sentença de morte que ditamos para nós mesmos.

         Aos que se utilizam da limitação do processo mental dos menos afortunados na classe social do pensar, para benefício próprio, a sentença só espera a hora de ser executada.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 11h05
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       “Fumar causa câncer de laringe”

        

          Ao ler esta frase num expositor de cigarros, contive-me à crítica.

         Eu nunca “entendi” o porquê das pessoas fumarem, mas de uns tempos pra cá, passei a compreendê-las melhor, bem melhor.

         Tudo começou quando tomei conhecimento da dieta do tipo sanguíneo. Uma dieta produzida a partir de estudos e pesquisas americanas sobre a reação dos alimentos nos organismos das pessoas. Como o meu tipo sanguíneo é “O”, para que o meu organismo não tenha problemas na “máquina” no decorrer do uso é necessário que eu não ingira nada que vá farinha de trigo, leite de vaca, morango, couve-flor, repolho, bacon, presunto, milho, batata, couve, maçã, laranja, abacate, berinjela, ketchup, etc., etc., porque são nocivos.

         Não foi difícil concluir: meu Deus, o que eu vou fazer?

         Nesse momento eu me dei conta de duas coisas: como é fácil criticar alguém que tem um vício e como é difícil vencer o nosso próprio vício.

         Vemos, no dia-a-dia, críticas serem lançadas em todas as direções como se fôssemos seres perfeitos, de primeira grandeza, da classe de espíritos mais evoluídos que cumprem missão na Terra. Quanta ilusão! Vemos as nossas marcas através de ações infelizes a começar das que saem de nossas próprias bocas.

         Aliás, se quisermos medir o nosso grau de evolução espiritual basta que analisemos a quantidade de críticas que emitimos em palavras ou em pensamentos sobre alguém. Temos a forte tendência de criticar aqueles que convivem conosco, os que não convivem; criticamos os governantes, os dirigentes de clubes, os jogadores de futebol, o atendente, e nos esquecemos de voltar as críticas para nós mesmos e tratar de sermos melhores no que fazemos.

            Tales de Mileto, o primeiro filósofo ocidental que se tem notícia, e que nasceu por volta do ano de 624/625 a.C., na Ásia Menor, atual Turquia, disse que “A coisa mais difícil do mundo é conhecermo-nos a nós mesmos, e o mais fácil é falar mal dos outros.”

         O mais interessante desta frase, a meu ver, é que mais de dois mil e quinhentos anos se passaram, a era da eletrônica e da informatização instalou-se em nosso meio, e encontra-se em velocidade cada vez mais acelerada, porém continuamos primários em nossos erros, em nossas limitações, sendo protagonistas no palco dos nossos sofrimentos.

         Se ainda nos encontramos na dificuldade de vencer os nossos próprios vícios, os nossos prazeres que nos geram desprazeres, como teremos paz, saúde e felicidade?

         Nossas imperfeições são as causadoras das listas infinitas de nossas doenças, das dores musculares, das nossas dores de estômago, dos cânceres que nascem de uma única célula “infeliz” e que vai levando as outras consigo, das dores de cabeça sem fim, das depressões e angústias. Chegamos ao ponto, muitas vezes, de criticar até as ações do Criador do Mundo...

         Quando, ao raiar do dia, agradecermos pela beleza dos verdes e vermelhos, amarelos e roxos; quando tecermos mais elogios aos que cruzam o dia conosco; quando das nossas bocas saírem palavras de conforto, de apoio e  de incentivo apenas, certamente nossa qualidade de vida será, positivamente, proporcional  à nossa evolução.

         Antes disso, não reclamemos das conseqüências dos nossos atos infelizes.



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 09h52
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     Preenchendo os vazios

        

         “Num mundo que se faz deserto temos sede de amigos”.

         Infelizmente eu não sei quem foi o autor desta frase que há muitos anos acompanha as minhas reflexões sobre os verdadeiros amigos. Uma coisa eu sei, que para preencher os vazios da alma a criatura humana vem se utilizando de inúmeros recursos como: viagens (para fora de si mesmo), passagens internacionais, medicamentos de toda ordem, bebidas, drogas, esportes radicais, ambientes cheios de barulhos, piercings, tatuagens e por aí afora. O que é pior: o espaço continua vazio.

         É difícil para o ser humano acreditar que necessitamos de tão pouco para ser feliz. Que o que realmente precisamos é estar com os outros, de verdade.

         Há maridos infelizes ao lado das esposas porque não conseguem se aproximar delas. Há esposas insatisfeitas porque não conseguem falar e se fazerem compreendidas por seus maridos. Há filhos distantes dos pais porque não aprenderam o caminho de se chegar até eles. Há irmãos que se mantêm na indiferença porque ao longo de suas vidas não descobriram a fórmula da união e vivem “cada um no seu quadrado” .

         Como chegarmos aos outros se estamos fechados para o mundo que nos cerca? Como dialogarmos com alguém se só escutamos a nossa voz? Como sermos amigos de alguém se não somos capazes de sermos amigos de nós mesmos, se o tempo todo fugimos de nós e não conseguimos pensar sobre as nossas próprias angústias e problemas? Como esperar que os outros sejam nossos amigos se eles são como nós?

         Temos sede de amigos que falem conosco a nossa língua, que compreendam as nossas dificuldades, os nossos erros e falhas, as nossas limitações; que nos dêem conselhos e nos ajudem a crescer; que nos falem as verdades mesmo que doam, mas que sorriam conosco e se alegrem com as nossas alegrias. Por outro lado podemos nos perguntar: conseguimos falar a língua do outro e compreender as suas dificuldades? Somos capazes  de aceitar os erros e falhas, dar conselhos e ajudar o outro a crescer? Conseguimos falar as verdades e sorrir quando o outro está feliz?

         Sendo assim, torna-se fácil compreender que a Terra é um planeta árido em se tratando de sentimentos. Que ainda não aprendemos a amar nem mesmo a nós. O que poderemos dizer no que toca a amar o semelhante?

         Realmente temos sede, mas esquecemos que o outro também o tem. Necessitamos apenas sair em busca da água da vida. Saciarmo-nos dela para podermos levá-la para quem também tem sede.

         A fonte não é segredo pra ninguém: “Vinde a mim todos vós que têm sede e eu os aliviarei”.

         O caminho não é mistério. Porém, não há outro caminho para se chegar ao Cristo senão pelas reformas interiores do coração. Só assim preencheremos os vazios de nossa alma.

 



Escrito por Denize - (Psicopedagoga) - às 09h55
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